Operação Faker: Quadrilha causou prejuízo de mais de R$ 28 milhões no Piauí

O esquema criminoso investigado na Operação Faker, da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) e o Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco), envolveu pelo menos 86 empresas, dentre falsas e verdadeiras, informaram os delegados que conduzem a investigação durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (1º), em Teresina.

O dono do escritório de contabilidade investigado na operação, Elinaldo Soares Silva, foi preso em flagrante e em cumprimento a um mandado de prisão preventiva. A prisão em flagrante se deu, segundo a polícia, por posse irregular de arma de fogo com numeração suprimida, receptação qualificada de bem público, uso de documento falso e falsificação de documento público.

Operação Faker: polícia cumpre mandados contra fraude documental e lavagem de dinheiro em Teresina e Agricolândia — Foto: Divulgação/ PC-PI

Operação Faker: polícia cumpre mandados contra fraude documental e lavagem de dinheiro em Teresina e Agricolândia — Foto: Divulgação/ PC-PI

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão e um sequestro patrimonial de mais de R$ 28 milhões contra pessoas envolvidas no esquema. Foram apreendidos: 10 veículos (quatro motos e seis carros); uma arma de fogo com numeração suprimida; 12 tabletes de droga (maconha); Mais de 15 mil reais em dinheiro e documentação falsificada.

Além do dono do escritório de contabilidade, um homem identificado como Antônio Marcos de Sousa Silva também foi preso, em flagrante, suspeito do crime de tráfico de drogas. Com ele também foram apreendidas munições de arma de fogo.

As ações se passaram na capital, no município maranhense vizinho, Timon, e em Agricolândia, 88 km ao Sul de Teresina. O esquema investigado envolve crimes de fraude documental, falsidade ideológica, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O delegado Ferdinando Martins Araújo, da Deccor, afirmou que essa fase da operação se restringiu ao escritório de contabilidade, mas que as empresas envolvidas também serão alvo em futuras fases da operação.

Segundo ele, alguns empresários sabiam que o escritório agia de forma criminosa e procuravam o estabelecimento para tentar resolver problemas financeiros. A polícia pretende também investigar a ligação do grupo com cartórios e bancos.

Investigações

Em abril de 2019, o Greco realizou apreensões em um escritório de contabilidade na capital piauiense. Foram encontrados diversos documentos falsos, cartões bancários e carimbos.

A partir disso, policiais da Deccor constataram a existência de uma organização criminosa no Piauí e no Maranhão que atuava com fraudes documentais e lavagem de dinheiro, com potencial participação de cartórios, estabelecimentos bancários e outros entes.

Foi apurado que várias pessoas e empresas fictícias eram criadas pelo grupo criminoso. A investigação mostrou que, a partir dessas pessoas físicas e jurídicas falsas, a organização criminosa conseguia movimentar quantias em dinheiro de forma dissimulada, com o objetivo de esconder seu patrimônio e causar prejuízo às reais vítimas – fisco e bancos.