Grupo teria usado dinheiro, armas e monitoramento em plano para matar delegados no Piauí

A investigação da Secretaria da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) identificou uma estrutura organizada dentro de grupo criminoso investigado por planejar a execução dos delegados Charles Pessoa e Ayslan Magalhães. O grupo teria dividido funções entre integrantes responsáveis pela liderança, coordenação operacional, seleção de executores, logística, monitoramento e transmissão de ordens.

A operação deflagrada nesta segunda-feira (28) tem dez investigados como alvos. Segundo as apurações, cerca de R$ 1 milhão teria sido destinado ao planejamento dos atentados, incluindo a contratação de criminosos de outro estado, além da disponibilização de armas, veículos e imóvel de apoio.

Liderança e coordenação do plano

Entre os investigados está Adriano do Amaral de Sousa, conhecido como “Pavão”, apontado como integrante de um núcleo familiar que, segundo a investigação, teria participação relevante na estrutura de liderança da organização criminosa. A coordenação operacional do plano teria ficado a cargo de João Vítor Chaves, conhecido como “Meia-Noite”. Conforme as apurações, ele seria responsável por selecionar executores de Fortaleza (CE) e providenciar a estrutura necessária para a realização do atentado.

Outro investigado é Claudinaio do Nascimento Farias, conhecido como “Barba”, apontado por supostamente atuar na transmissão e no acompanhamento de determinações dentro da organização. Já Antônio de Deus Pereira Neto, conhecido como “Fantasmão”, teria participação no suporte logístico e operacional, além da articulação entre integrantes do grupo que estavam no Piauí.https://d-17663446973240369068.ampproject.net/2608131752000/frame.html

Também é investigado André Luiz Felix da Silva, conhecido como “André da Ilha”, apontado como integrante da estrutura criminosa.

Foto: Divulgação/SSP

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Grupo mantinha estrutura mesmo com integrantes presos

As investigações indicaram que a organização mantinha sua estrutura de funcionamento mesmo após alguns integrantes ingressarem no sistema prisional.

Segundo a apuração, ordens continuavam sendo transmitidas a intermediários que estavam em liberdade, permitindo a manutenção da comunicação e da divisão de tarefas entre diferentes integrantes do grupo.

Monitoramento e escolha dos alvos

A estrutura investigada também teria contado com integrantes responsáveis pelo monitoramento da rotina do delegado Charles Pessoa.

De acordo com as investigações, criminosos acompanhavam os deslocamentos do delegado, principalmente os horários em que ele frequentava uma academia, além de observarem a divulgação de sua agenda.

O grupo teria identificado os compromissos públicos relacionados à campanha eleitoral como oportunidades para a execução do atentado, já que nesses eventos o delegado estaria mais exposto.

Foto: Divulgação/SSPFoto: Divulgação/SSP

Foto: Divulgação/SSP

Atentado teria sido planejado durante ato político

A investigação identificou que a organização planejava atacar Charles Pessoa durante um ato político realizado na quinta-feira (24), no bairro Mocambinho, zona Norte de Teresina.

O serviço de inteligência descobriu previamente o planejamento e levou as forças de segurança a realizar uma operação no dia do evento, com o objetivo de impedir a execução do atentado. A atuação policial teria frustrado o ataque e permitido o avanço das investigações sobre a estrutura responsável pelo planejamento.

Prejuízos ao tráfico teriam motivado plano

Segundo a investigação, a organização passou a articular os atentados após sucessivas ações das forças de segurança provocarem prejuízos milionários ao tráfico de drogas no Norte do Piauí.

Entre as operações está uma ação realizada em Bom Princípio do Piauí, onde aproximadamente 1 tonelada de entorpecentes, principalmente cocaína, foi apreendida em uma propriedade rural. Parte da droga estava escondida em recipientes e tambores enterrados.

As apurações indicam que integrantes da organização passaram a atribuir os prejuízos à atuação policial e, posteriormente, avançaram na elaboração dos planos contra os delegados.

Foto: Divulgação/SSPFoto: Divulgação/SSP

Foto: Divulgação/SSP

Ramificações fora do Brasil

A estrutura investigada também apresenta ramificações internacionais. Segundo as apurações, há elementos que indicam a presença de investigados no exterior e conexões com estruturas relacionadas ao tráfico de drogas.

As diligências da operação alcançam a Bolívia e o Uruguai, com participação da Interpol. A operação desta segunda-feira busca cumprir as medidas judiciais determinadas, avançar na desarticulação da estrutura investigada e identificar outros possíveis integrantes e conexões da organização.