Ministério libera R$ 1,5 milhão para retomada de atendimentos no São Marcos

O Ministério da Saúde vai repassar à Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) um aporte de R$ 1,5 milhão para a compra de medicamentos e insumos destinados à retomada dos atendimentos oncológicos no Hospital São Marcos. Com o repasse, o atendimento a novos pacientes deverá ser retomado nesta quinta-feira (22).

Técnicos do Ministério da Saúde chegaram a Teresina na segunda-feira (18) e iniciaram uma auditoria no Hospital São Marcos após a unidade anunciar a suspensão de novos atendimentos a pacientes com câncer.

A auditoria apontou a necessidade imediata do repasse de R$ 1,5 milhão, valor que será encaminhado à Sesapi, responsável pela aquisição dos medicamentos e insumos. O montante foi definido após a constatação, por parte da União, de déficit desses materiais essenciais para o atendimento dos pacientes.

Ao Cidadeverde.com o diretor técnico do Hospital São Marcos, Marcelo Martins, 190 novo pacientes já aguardam regulação para iniciar atendimentos. 

“Eu quero comunicar à população que a gente está oficiando a Fundação Municipal de Saúde, que é quem organiza essa fila de atendimento, que tem aproximadamente 190 pacientes de casos novos de câncer que deixaram de ser atendido nos últimos dias, e a gente está retomando os atendimentos normalmente a partir de amanhã. Essa é a informação mais importante que eu quero dar para população tranquilizando a população piauiense. O Ministério da Saúde veio junto com representantes da SESAPI e da Fundação Municipal de Saúde e estão nos auxiliando a identificar pontos de ajuste no atendimento da população. O Ministério da Saúde se prontificou a fornecer materiais e medicamentos necessários para o atendimento. E como eu havia falado naquele dia a interrupção dos atendimentos se decorreu a uma impossibilidade material. Uma vez que essa impossibilidade material foi eliminada os atendimentos estão sendo retomados”, afirma.

Segundo o diretor-técnico, a Sesapi recebeu a lista de medicamentos necessários que estão sendo adquiridos pelo órgão estadual. O entendimento do Ministério da Saúde é de que caso o São Marcos necessite de mais medicamentos, comprovada a necessidade, pode haver um novo aporte financeiro para compra desses insumos. 

“O Ministério da Saúde checou estoques, balanços financeiros, sistema de funcionamento, qualidade do atendimento prestado isso tudo foi checado o que é normal. Isso acontece várias vezes ao longo do ano e pode acontecer sempre”, cita o diretor-técnico.

Hospital quer reajuste de valores

Além do aporte emergencial, o Hospital São Marcos alega estar em tratativas para celebração de um novo contrato para os atendimentos na unidade. 

“O hospital precisa é de um contrato que visualize o aumento dos custos do atendimento de alta complexidade em câncer. A tabela do SUS é uma tabela que grande parte dela está sem reajuste há muitos anos e isso penaliza de certa forma todos os prestadores de serviço Brasil afora. Não é à toa que inúmeros outros estados do país a tabela do SUS é complementada várias vezes para que os atendimentos sejam mantidos isso e não acontece aqui em Teresina. É o que a gente está pleiteando que seja feito uma nova contratualização com valores mais próximos da realidade de custos e eu tenho certeza que isso vai acontecer nos próximos dias. A gente percebe toda boa fé do Ministério da Saúde, da Sesapi e da Fundação Municipal de Saúde e também nosso aqui do Hospital São Marcos pra proteger a população e manter os atendimentos”, finaliza.

Entenda impasse financeiro

Desde o dia 3 de julho o Hospital São Marcos suspendeu o atendimento de novos pacientes alegando um déficit financeiro superior a R$ 4 milhões por mês que seriam repassados pelo Sistema Único de Saúde.

O Hospital São Marcos oferece o atendimento por meio de um contrato tripartide ente município, Estado e União. Pelas recorrentes suspensões de atendimento devido a déficit no repasse, no final de 2025, uma reunião acordou que o município repassaria 60%, 15% dos recursos pelo Estado e os 25% pelo Governo Federal.

A Fundação Municipal de Saúde tem cobrado uma maior participação do Estado e Governo Federal, alegando que o município não utiliza 60% do atendimento, com o restante do estado utilizando o atendimento. O Governo do Estado alega que vem cumprindo com sua parte acordada de repasse em 15%.