Orientação Sexual: 42 mil piauienses se declaram homossexuais ou bissexuais

No Piauí, a proporção de pessoas adultas que se declararam homossexuais ou bissexuais foi de 1,7%, o que equivale a 42 mil pessoas, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são de 2019 e foram divulgados nesta quarta-feira (25).

Em Teresina, o percentual dos que se declararam homossexuais ou bissexuais foi de 2,6%, o que representa 18 mil pessoas. Cerca de 4,8% da população teresinense se recusou a responder ou não sabia, taxa que equivale a 32 mil pessoas.

O Matizes, grupo que luta pelos direitos LGBTQIA+ no Piauí há 20 anos, vê de forma positiva a iniciativa, mas afirma que os dados não refletem dessa população no estado.

“A gente sabe que muita gente não se autodeclara. Por medo, porque ainda não está fortalecido, às vezes está na frente de algum familiar, constrangido. Fora isso, outro dado que chama atenção é o percentual de pessoas que não informou nenhuma orientação sexual, é quase o mesmo das pessoas que se declararam gays ou lésbicas”, afirmou Marinalva Santana, coordenadora do Matizes, ao g1.

Para Marinalva, esse dado é indicativo de que algumas pessoas desse percentual que não declarou são LGBTQIA+ que ainda não se afirmaram como tal. A vice-coordenadora também questionou a ausência de dados sobre identidade de gênero.

“Quando a gente coloca essa estimativa [de pessoas LGBTQIA+] somos pelo menos 10% [da população geral do país], é o que o movimento usa em nível de Brasil, no Piauí somos mais de 300 mil. Isso considera também as pessoas travestis e trans, que não estão inclusas na pesquisa do IBGE, que indagou apenas sobre orientação sexual e não sobre identidade de gênero”, explicou.

Mas a militante acredita que a iniciativa é importante para que se possa pensar em políticas públicas voltadas para essa parte população.

“Se cada vez mais forem incluídas essas informações, essas perguntas, como esta sobre a orientação sexual, não só em dados do IBGE, mas também em outras pesquisas, é importante para que se tenha um norte, indicativos. Embora a gente não reconheça que esse percentual reflete a realidade de LGBTs que aqui vivem, é importante porque é uma forma de dentro da estrutura do estado ir quebrando o preconceito. Tendo dados oficiais, mesmo que não reflita totalmente a realidade, há como se pensar em políticas públicas”, pontuou.

População no Brasil

Ainda segundo a pesquisa, 2,9 milhões de pessoas se autoidentificam como homossexuais ou bissexuais no Brasil. Este contingente corresponde a 1,8% da população com 18 anos ou mais, proporção menor que da parcela de pessoas que não souberam ou não quiseram responder (3,4%) à pesquisa.

O estudo evidenciou que a imensa maioria da população brasileira se autodeclara heterossexual – 94,8% dos brasileiros assim se autoidentificaram. Mas o IBGE ponderou que “o fato de uma pessoa se autoidentificar como heterossexual não impede que ela tenha atração por ou relação sexual com alguém do mesmo sexo”.

No Piauí, a proporção de pessoas adultas que se declararam homossexuais ou bissexuais foi de 1,7%  — Foto: g1

No Piauí, a proporção de pessoas adultas que se declararam homossexuais ou bissexuais foi de 1,7% — Foto: g1

Segundo o instituto, para captar em detalhes a efetiva orientação sexual da população “seria necessária a investigação do comportamento e da atração sexual, conceitos esses diferentes da autoidentificação”, que foi o utilizado na coleta da PNS.

Conforme o IBGE, o questionário foi aplicado em cerca de 108 mil domicílios no Brasil, mas representa a totalidade da população. A amostra corresponde a, aproximadamente, 0,07% das pessoas com 18 anos ou mais de idade, estimada, em 2019, em 159,2 milhões.

Esta é a primeira vez que o instituto divulga dados sobre orientação sexual, após o órgão ter sido acionado na Justiça pelo Ministério Público Federal. Os resultados foram divulgados em caráter experimental.

“Ao realizar essa divulgação, o IBGE pretende dar uma primeira contribuição com estimativas da população de lésbicas, gays e bissexuais, com estatísticas em âmbito nacional relacionadas a uma amostra probabilística e representativa das diferentes regiões do país, ainda que em processo de avaliação de possíveis melhorias em futuras coletas”, declarou o diretor de Pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo.

A PNS não coletou dados sobre identidade de gênero, mas o IBGE estuda metodologia para incluir esse tema em suas pesquisas, “A coleta dessa característica da população nas pesquisas domiciliares requer uma abordagem diferenciada e estudos complementares por parte do Instituto.”, disse a coordenadora da pesquisa.